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01/11/2026

Jogo Bruto

40 anos de Novo Thempo: o sucesso não acontece por acaso!

Hoje não quero falar de política. Quero falar de algo que, para mim, tem um valor muito maior: amizade, respeito, admiração, gratidão e, acima de tudo, inspiração.

Quero falar de três irmãos. Três homens que conheço há quase quatro décadas e que, muito antes de construírem uma das grandes histórias de sucesso do entretenimento regional, já demonstravam algo que o dinheiro não compra: caráter, determinação e coragem para acreditar nos próprios sonhos.

Estou falando dos meus amigos Volni, Ney e Valmi, os irmãos que estão por trás da Novo Thempo Entretenimento, empresa que ontem celebrou seus 40 anos de história.

Quarenta anos! Nossa, é muito tempo. Mas, para mim, essa história começou em 1987.

Naquele ano, durante o Carnaval de Alta Floresta, três irmãos animavam as noites no Ginásio Édson Santos. Eu morava ali ao lado, com meu saudoso pai, e praticamente todas as noites passava por lá para acompanhar a festa.

Lembro do Volni no teclado, do Ney na bateria e do Valmi fazendo parte daquela banda que colocava todo mundo para dançar.

E quem poderia imaginar, naquele ginásio, naquela cidade do interior de Mato Grosso, o tamanho que aquele sonho alcançaria?

O tempo passou. A banda cresceu. E a Novo Thempo foi se tornando muito mais que uma atração musical. Virou referência. Era comum ouvir que determinado baile seria um sucesso simplesmente porque a Novo Thempo estaria presente.

E estava mesmo!

Em 1995, vim para Sinop tentar a sorte como jornalista. E, por muitos anos, acompanhei de perto a trajetória daqueles irmãos. Todos os anos, lá estava eu fazendo matérias sobre os preparativos da banda para o Carnaval, os grandes eventos da região, as festas de fim de ano.

Lembro perfeitamente de uma casa de madeira no Jardim Botânico, onde, em um quarto pequeno e quente, eles ensaiavam, planejavam e preparavam seus espetáculos.

Talvez aquela sala fosse pequena demais para tantos equipamentos, mas nunca foi pequena para os sonhos daqueles homens.

E olha onde chegaram!

Ao longo dessas quatro décadas, a Novo Thempo não construiu apenas uma empresa. Construiu histórias.

Quantos músicos tiveram ali sua primeira grande oportunidade? Quantos talentos foram revelados? Quantas vozes ganharam os palcos graças à confiança daqueles irmãos?

Lembro do guitarrista Jean e de tantos outros profissionais que passaram por aquela estrutura e conquistaram reconhecimento.

E quantos casais se conheceram ao som da Novo Thempo? Quantos namoros começaram em seus bailes, quantos casamentos nasceram daquelas noites de música e dança? Quantas famílias hoje têm uma história para contar que começou diante de um palco daquela banda?

É impossível medir isso em números.

Porque existem empresas que fazem eventos. E existem empresas que fazem parte da vida das pessoas. A Novo Thempo pertence ao segundo grupo.

Ontem, na comemoração dos 40 anos, estavam reunidos pais, irmãos, filhos, familiares, funcionários, amigos e admiradores. Gente que ajudou a construir essa trajetória e gente que, como eu, teve o privilégio de acompanhá-la.

Mas existe uma parte dessa história que preciso contar. Não como jornalista, mas como amigo.

Quem me conhece sabe que já me aventurei em muitas coisas. Sou jornalista, repórter, trilheiro e, durante quatro anos, também fui proprietário de uma empresa de sonorização para eventos.

E foi justamente nesse período que aprendi, na prática, o quanto é difícil sobreviver nesse mercado.

Equipamentos caros, investimentos constantes, noites sem dormir, compromissos financeiros e aquela luta diária para, quem sabe, terminar o mês no azul.

Houve momentos em que chorei escondido debaixo de um palco. Sim, chorei! Não por falta de vontade, mas pelo peso de tentar manter vivo um sonho que parecia maior que minhas forças.

Pouca gente conhece essa parte da minha vida.

E é aqui que entra o Volni.

Certa vez, precisava de uma mesa de som profissional para realizar um evento. Era um equipamento extremamente caro, avaliado, na época, em aproximadamente 80 mil reais. Eu simplesmente não tinha condições de comprar.

Conversei com o Volni sobre minha dificuldade.

Ele, com aquela tranquilidade de sempre, simplesmente me disse:

“Pega essa aqui, usa e depois me traz.”

E me entregou o equipamento.

Usei, fiz meu trabalho e, quando fui devolver, perguntei quanto lhe devia.

A resposta nunca saiu da minha memória:

“Capaz! Você não me deve nada. Logo você vai ter a sua.”

Talvez, para quem está lendo, isso pareça apenas o empréstimo de um equipamento.

Mas não foi.

Para alguém que lutava todos os dias para manter uma pequena empresa funcionando, aquilo representava muito mais que uma ajuda financeira. Representava confiança. Representava alguém que acreditava em mim quando, em alguns momentos, eu mesmo começava a duvidar.

E não foi a única vez.

Em outra ocasião, quando as dificuldades pareciam insuperáveis, ouvi dele palavras que também carrego até hoje:

“Persista, não desista. Hoje você me vê aqui, mas tudo isso que está passando eu também já passei. Vai dar certo!”

Não vou romantizar minha própria história. Eu não consegui continuar. Faltaram condições, talvez forças, e acabei vendendo tudo.

Mas eles continuaram.

E é justamente aí que está uma das maiores lições que tiro dessa trajetória.

O sucesso não acontece por acaso. E, principalmente, não se sustenta por acaso durante 40 anos.

É fácil admirar uma empresa quando ela está consolidada, quando os equipamentos são modernos, quando os eventos são grandiosos e quando seu nome é reconhecido.

Difícil é enxergar o que existiu antes disso.

As noites mal dormidas. Os contratos que não deram certo. Os equipamentos que quebraram. As contas vencendo. As decisões difíceis. Os momentos em que, provavelmente, desistir parecia muito mais fácil do que continuar.

Eu conheci um pouco desse mundo. Sei o quanto custa cada conquista.

Por isso, quando olho para Volni, Ney e Valmi, não vejo apenas empresários bem-sucedidos. Vejo três irmãos que transformaram trabalho em patrimônio, perseverança em reconhecimento e um sonho de juventude em uma empresa que gera oportunidades e leva o nome de Sinop para além das nossas fronteiras.

E existe algo que considero ainda mais importante.

Crescer profissionalmente é uma conquista. Crescer sem perder a capacidade de estender a mão a quem está começando é uma virtude.

O Volni, para mim, representa muito isso. Um homem justo, generoso, de palavra, que soube ouvir, aconselhar e ajudar sem precisar transformar seus gestos em propaganda.

E faço questão de reconhecer também o Ney e o Valmi, porque uma história de quatro décadas não se constrói sozinho. Cada um, com seu talento, sua personalidade e sua dedicação, ajudou a escrever essa trajetória.

A Novo Thempo é resultado dessa união. Mas também é resultado de cada músico, técnico, motorista, montador, produtor, colaborador e familiar que fez parte dessa caminhada.

Ninguém constrói algo tão duradouro sem pessoas ao seu lado.

Ontem, vendo aquela homenagem, pensei em como a vida é interessante.

Aquele jovem que passava as noites de Carnaval no Ginásio Édson Santos, em Alta Floresta, jamais imaginaria que, quase 40 anos depois, estaria escrevendo uma coluna para homenagear aqueles mesmos músicos.

Muito menos que um deles, anos depois, seria tão importante em um momento difícil de sua própria vida.

É por isso que faço questão de escrever estas palavras.

Vivemos um tempo em que muita gente confunde sucesso com dinheiro, reconhecimento com fama e amizade com conveniência.

Mas a vida, com o passar dos anos, vai nos ensinando a distinguir uma coisa da outra.

Dinheiro compra equipamentos, estruturas, palcos e tecnologia. Mas não compra respeito verdadeiro, gratidão sincera ou uma história construída com dignidade.

E isso, meus amigos, vocês conquistaram.

Tenho orgulho de ver uma empresa nascida do esforço de três irmãos se tornar uma das grandes referências do entretenimento do Centro-Oeste.

Tenho orgulho de ver a Novo Thempo representar Sinop com profissionalismo, competência e credibilidade.

Tenho orgulho de cada profissional que passou por seus palcos e encontrou ali uma oportunidade para crescer.

Mas, acima de tudo, tenho orgulho de poder dizer que sou amigo de vocês.

E não escrevo isso por causa dos 40 anos, do tamanho da empresa ou das conquistas alcançadas.

Escrevo porque conheci vocês quando tudo ainda era um sonho. Porque testemunhei parte da caminhada. E porque, em um dos momentos em que mais precisei, encontrei amizade onde poderia ter encontrado apenas uma relação comercial.

Parabéns, Volni, Ney e Valmi. Parabéns a todos os familiares, colaboradores e profissionais que construíram e continuam construindo a Novo Thempo Entretenimento.

Que venham muitos outros anos de sucesso, de música, de oportunidades e de histórias para contar.

E, se me permitem uma última reflexão: o verdadeiro tamanho de um homem não está apenas naquilo que ele conseguiu construir, mas também nas pessoas que ajudou a permanecer de pé durante a caminhada.

Volni, Ney e Valmi, vocês construíram uma grande empresa. Mas o que mais admiro é que, nessa caminhada, também construíram algo que não se compra e não se perde com o tempo: respeito.

Obrigado pela amizade, pelo exemplo e pela inspiração.

Porque o sucesso pode até colocar alguém no alto de um palco. Mas é o caráter que determina como será lembrado quando as luzes se apagarem.

Parabéns pelos 40 anos, Novo Thempo!

Rudy Roger Vaz
Jornalista, Marketeiro, empresário e colunista do Jogo Bruto — Só Informação.

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