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23/10/2026

Eleições 2026

5º E ÚLTIMO ARTIGO DA SÉRIE — REFLEXÕES SOBRE POLÍTICA E DEMOCRACIA – A urna não encerra o debate: o Brasil que vem depois da eleição

“O Brasil não precisa de um povo dividido por políticos. Precisa de políticos comprometidos com um povo unido.”

Neste domingo, milhões de brasileiros terão nas mãos muito mais do que um voto. Terão a responsabilidade de decidir os caminhos de uma nação que precisa urgentemente superar suas divisões, enfrentar seus problemas e voltar a acreditar no próprio futuro.

Ao longo desta série de cinco artigos, procurei refletir sobre política sem transformar direita ou esquerda em donos da verdade. Porque acredito que o Brasil é muito maior do que partidos, candidatos ou ideologias.

E agora, diante das urnas, faço uma pergunta simples: afinal, qual Brasil queremos deixar para nossos filhos e netos?

Queremos continuar sendo o país das desigualdades, onde o lugar em que uma criança nasce ainda influencia profundamente suas oportunidades? Onde milhões de brasileiros trabalham, pagam impostos e não recebem serviços públicos à altura de suas necessidades?

Queremos continuar dividindo nossa gente entre nordestinos, sulistas, nortistas, ricos e pobres, como se existissem brasileiros de primeira e segunda categoria?

O Nordeste não é um problema do Brasil. É parte fundamental da nossa história, da nossa cultura e da nossa riqueza. O problema é a pobreza que persiste em tantas regiões e a incapacidade de sucessivos governos de oferecer oportunidades suficientes para superá-la.

A miséria não pode servir de instrumento político. A pobreza precisa ser combatida, não administrada como uma dependência permanente.

Programas sociais são necessários e podem representar a diferença entre comer e passar fome. Mas precisam ser acompanhados de educação de qualidade, qualificação profissional, emprego e desenvolvimento econômico.

A maior conquista de uma política social deveria ser permitir que, um dia, aquela família não precise mais dela.

Se queremos resultados diferentes, precisamos discutir atitudes diferentes

Existe uma frase conhecida que merece reflexão: não podemos continuar fazendo sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes.

Isso não significa que toda mudança seja boa, nem que tudo o que foi construído até aqui deva ser abandonado.

Significa reconhecer que o Brasil precisa ter coragem de corrigir seus erros, preservar o que funciona e buscar novos caminhos quando os antigos já não entregam os resultados esperados.

Não podemos continuar aceitando uma educação que deixa tantos jovens sem aprendizado adequado, uma saúde pública marcada por longas esperas, impostos que pesam sobre trabalhadores e empresas e uma burocracia que dificulta a vida de quem deseja produzir.

O brasileiro não precisa de mais promessas bonitas. Precisa de resultados.

O Estado precisa servir ao cidadão, e não o cidadão viver para sustentar uma máquina pública cara e, muitas vezes, ineficiente.

Segurança pública: o direito de viver sem medo

Há outro assunto que não podemos continuar empurrando para depois: a segurança pública.

O cidadão de bem não pode viver trancado dentro de casa enquanto criminosos desafiam a sociedade. O trabalhador precisa ter o direito de sair para trabalhar e voltar em segurança. As famílias precisam recuperar a tranquilidade de ocupar ruas, praças e espaços públicos.

Defendo uma discussão séria e urgente sobre a redução da maioridade penal nos casos de crimes graves, o endurecimento das penas para crimes violentos e o combate efetivo à reincidência e à impunidade.

Não podemos tratar essas questões apenas como bandeiras de direita ou esquerda. São problemas reais que atingem principalmente as famílias mais vulneráveis.

É preciso reconhecer que penas mais duras, sozinhas, não resolvem a criminalidade. Precisamos também de investigação eficiente, justiça que funcione e verdadeiramente imparcial, prevenção, educação, oportunidades para os jovens e um sistema prisional capaz de impedir que o crime continue sendo organizado de dentro das cadeias.

Mas uma coisa é certa: a sensação de que cometer crimes compensa precisa acabar.

Direitos individuais são fundamentais. E entre eles está o direito de cada brasileiro viver com segurança, liberdade e dignidade.

A democracia não termina quando conhecemos o vencedor

Neste domingo, teremos vencedores e derrotados nas urnas. Mas, na segunda-feira, continuaremos sendo todos brasileiros.

Quem vencer terá a responsabilidade de governar para toda a população, inclusive para aqueles que não lhe deram o voto.

Quem perder deverá respeitar o resultado legítimo das urnas e exercer seu papel de oposição dentro das regras democráticas.

E nós, cidadãos, teremos uma obrigação ainda maior: acompanhar, fiscalizar e cobrar.

Democracia não é apenas escolher um presidente a cada quatro anos. É participar da vida pública, exigir transparência, combater a corrupção, respeitar opiniões diferentes e não aceitar que políticos sejam tratados como figuras acima de qualquer crítica.

Acredito na maturidade democrática do Brasil. Acredito em nossas instituições, mesmo reconhecendo suas falhas e a necessidade permanente de aperfeiçoamento.

Não precisamos pensar igual para caminhar na mesma direção.

Respeitar quem pensa diferente não significa abrir mão de nossas convicções. Significa compreender que ninguém é dono exclusivo da verdade.

O Brasil que eu quero

Quero um Brasil onde nascer pobre não signifique permanecer pobre.

Onde o filho de um trabalhador tenha acesso a uma escola tão boa quanto aquela frequentada pelo filho de uma família rica.

Onde o empreendedor seja incentivado a gerar empregos, e não sufocado por impostos e burocracia.

Onde a saúde funcione, a justiça seja respeitada, o dinheiro público seja tratado com seriedade e a corrupção não encontre proteção em nenhuma bandeira partidária.

Quero um país moderno, competitivo, seguro, que respeite as liberdades individuais, mas que também compreenda nossas responsabilidades coletivas.

Um Brasil onde o Nordeste, o Norte, o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste não sejam usados para dividir brasileiros, mas reconhecidos como partes de uma mesma nação.

Onde a política não transforme adversários em inimigos e onde o desenvolvimento não seja privilégio de poucos.

Quero menos dependência, mais oportunidades. Menos privilégios, mais justiça. Menos discursos, mais resultados.

E, principalmente, quero um país em que o cidadão seja mais importante do que o governante.

Com a palavra, você, eleitor!

Chegamos ao final desta série com uma convicção: não existe democracia forte sem cidadãos conscientes de suas responsabilidades.

Não vou dizer em quem você deve votar. Essa decisão pertence à sua consciência, aos seus valores e à sua avaliação dos caminhos apresentados.

Mas deixo uma reflexão.

Antes de apertar o botão da urna, pergunte a si mesmo se estamos satisfeitos com o Brasil que temos. Se acreditamos que o caminho atual deve continuar ou se chegou a hora de experimentar outro projeto.

Avalie o passado, examine as propostas, questione as promessas e pense nas próximas gerações.

Mudar não é necessariamente avançar. Mas ter medo de mudar também pode nos impedir de evoluir.

O voto não pode ser um cheque em branco. Quem vencer precisará provar, todos os dias, que merece a confiança recebida.

E, independentemente do resultado, nossa responsabilidade não termina na urna.

Porque o Brasil não pertence a Lula, a Flávio Bolsonaro, à direita ou à esquerda.

O Brasil pertence aos brasileiros.

Que neste domingo vença a democracia. Que na segunda-feira prevaleça o respeito. E que, nos próximos quatro anos, possamos cobrar aquilo que realmente importa: um país melhor para todos.

A urna encerra uma eleição. Não encerra o debate, não elimina nossas diferenças e muito menos resolve nossos problemas.

O futuro do Brasil não começa com a vitória de um candidato. Começa quando o povo decide que não aceita mais ser apenas espectador do próprio destino.

Com a palavra, de fato, você, eleitor!

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