O Estado, o mercado e o cidadão: qual é o limite de cada um?
O Brasil precisa de mais Estado ou de um Estado que funcione? Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que deveríamos fazer, independentemente de nossas preferências políticas.
Vivemos em um país onde políticas públicas existem, programas são anunciados, impostos são cobrados e promessas se renovam a cada eleição. Mas, quando saímos dos discursos e observamos a vida prática do cidadão, encontramos uma realidade bem diferente.
O trabalhador paga seus impostos, contribui durante toda a vida e, quando precisa de atendimento médico, muitas vezes enfrenta filas intermináveis. O cidadão tem direito à saúde, mas nem sempre consegue uma consulta ou cirurgia no tempo necessário. A Constituição garante o direito. A realidade, infelizmente, nem sempre entrega.
Na educação, a situação também merece reflexão. Temos professores dedicados, escolas que fazem a diferença e iniciativas importantes. Entretanto, nossos resultados educacionais continuam distantes dos alcançados por países como Japão e Alemanha. Não basta colocar uma criança dentro da sala de aula. É preciso garantir que ela aprenda, desenvolva habilidades e tenha oportunidades reais de construir seu futuro.
De que adianta uma política pública existir no papel se ela não transforma a vida de quem mais precisa?
O peso do Estado sobre quem trabalha e produz
Outro ponto que precisamos discutir com maturidade é a carga tributária brasileira.
Quem empreende conhece a dificuldade de manter uma empresa funcionando. São impostos, obrigações, burocracia, custos trabalhistas e uma insegurança que frequentemente desestimula investimentos. O pequeno empresário, principalmente, enfrenta obstáculos enormes para sobreviver, gerar empregos e produzir riqueza.
E o trabalhador também paga essa conta. Os tributos estão presentes nos alimentos, na energia, nos combustíveis e praticamente em tudo o que consumimos.
Defender a redução da carga tributária não deveria ser uma bandeira exclusiva da direita. Assim como defender saúde e educação públicas de qualidade não deveria ser propriedade da esquerda.
O que precisamos é de um sistema tributário mais simples, justo e que permita produzir, trabalhar e consumir sem sufocar a economia.
Por isso, a discussão precisa incluir revisão de despesas, combate aos desperdícios, eficiência administrativa e responsabilidade fiscal.
A corrupção: o câncer que enfraquece a nação
A corrupção merece um capítulo especial nessa discussão.
Cada recurso público desviado representa uma oportunidade perdida de melhorar a vida da população. Pode significar menos medicamentos, menos estrutura nas escolas, obras inacabadas e serviços de pior qualidade.
Combater a corrupção exige fiscalização, transparência, instituições independentes, punição dentro da lei e uma sociedade que deixe de justificar os erros daqueles com quem simpatiza politicamente.
Não existe corrupção aceitável porque foi praticada por alguém do nosso lado.
Menos Estado e mais cidadão?
Talvez seja aqui que esteja o centro da reflexão.
Quando defendo a ideia de menos Estado e mais cidadão, não estou defendendo abandonar os mais pobres, acabar com serviços públicos ou entregar tudo à iniciativa privada.
Estou falando de um Estado menos burocrático, menos desperdiçador, menos preocupado em sustentar estruturas políticas e mais comprometido com aquilo que realmente importa: servir à população.
Existem atividades em que a iniciativa privada demonstra grande capacidade de inovação, investimento e geração de empregos. Existem outras em que a presença do Estado é indispensável, especialmente para garantir direitos fundamentais, proteger os vulneráveis e corrigir desigualdades.
O desafio, portanto, não é eliminar o Estado nem transformar o mercado na solução para tudo. É estabelecer responsabilidades claras e cobrar resultados de ambos.
O cidadão precisa voltar a ser o protagonista
O Brasil precisa discutir menos o tamanho ideológico do Estado e mais a qualidade de sua atuação.
Precisamos de responsabilidade fiscal, porque o dinheiro público não é infinito. Precisamos de políticas sociais eficientes, porque nenhuma sociedade prospera deixando parte de sua população para trás. Precisamos de empresas fortes, porque empregos e investimentos são fundamentais para o desenvolvimento.
E precisamos, principalmente, compreender que o Estado existe para servir ao cidadão, e não o cidadão para sustentar os interesses do Estado.
Uma nação não pode medir seu sucesso apenas pelo tamanho de seu orçamento, pela quantidade de ministérios, pelos lucros das empresas ou pelo crescimento do PIB. Precisa medir também o que chega à casa das pessoas: saúde, educação, segurança, renda, liberdade e dignidade.
Afinal, quem espera meses por uma cirurgia não quer saber se o governante é de direita ou esquerda. Quem procura emprego não está preocupado com discursos ideológicos. Quem abre uma pequena empresa quer condições para trabalhar, crescer e sustentar sua família.
A vida real não acontece nos palanques. Acontece nas filas dos hospitais, nas salas de aula, no comércio, nas fábricas e dentro das casas dos brasileiros.
Talvez a melhor definição de um Estado moderno não seja um Estado grande ou pequeno, mas um Estado que faça bem aquilo que precisa fazer, custe o que seja justificável e preste contas de cada recurso recebido.
Porque, no final, não deveríamos perguntar quanto poder o governo possui, mas quanto desse poder se transforma em qualidade de vida para a população.
Menos privilégios, menos desperdício, menos burocracia. Mais oportunidades, mais eficiência, mais liberdade e mais cidadão.
É disso que o Brasil precisa. Não de uma ideologia vencedora, mas de um povo que finalmente seja o maior beneficiado pelas decisões de seus governantes.













































