Mauro Mendes: o homem que saiu maior das urnas
Tem eleição que elege candidato.
E tem eleição que revela quem realmente tem força política.
A eleição de 2026 pode até ter vários vencedores, mas poucos saem das urnas tão grandes quanto Mauro Mendes.
O governador conseguiu fazer algo que, na política, não é simples: venceu a própria eleição para o Senado, ajudou a eleger Zé Medeiros na reta final, virou o jogo contra Janaina Riva, consolidou Otaviano Pivetta no Governo, e ainda colocou sua esposa, Virginia Mendes, em uma cadeira no Senado.
Isso não é pouca coisa.
É poder político.
E poder político se mede justamente pela capacidade de transferir votos, influenciar decisões e fazer nomes vencerem eleições.
Mauro não ganhou sozinho. Mas ganhou quase tudo que precisava
Mauro Mendes entrou nesta eleição com um objetivo claro: deixar um grupo político forte o suficiente para continuar influenciando Mato Grosso depois que deixasse o Palácio Paiaguás.
E conseguiu.
Foi eleito senador.
Seu aliado Otaviano Pivetta venceu a eleição para governador.
“E ainda tem Virginia — agora deputada federal”
Como se não bastasse eleger a si próprio para o Senado, Mauro Mendes conseguiu colocar a esposa, Virginia Mendes, na Câmara Federal.
Virginia recebeu 102.120 votos e será uma das oito representantes de Mato Grosso na Câmara dos Deputados a partir de 2027.
Portanto, o casal Mendes estará simultaneamente em Brasília: Mauro no Senado e Virginia na Câmara.
E isso muda o tamanho político do grupo.
Mauro deixa o Palácio Paiaguás, mas não deixa a política mato-grossense. Pelo contrário: passa a ter presença direta nas duas Casas do Congresso, enquanto seu aliado Otaviano Pivetta permanece no comando do Estado.
É uma configuração que amplia a capacidade de articulação do grupo e coloca Mauro Mendes em uma posição central no novo mapa político de Mato Grosso.
O resultado?
Medeiros virou.
Janaina, que aparecia à frente em boa parte das pesquisas durante a campanha, acabou ficando de fora.
Na política, dizem que eleição não se ganha de vespera.
Mas também se ganha no momento certo.
E Mauro soube escolher o momento.
A virada de Zé Medeiros
Talvez esse seja um dos movimentos mais importantes da eleição.
Durante boa parte da campanha, Janaina Riva aparecia competitiva e chegou a liderar levantamentos para o Senado.
Mas a política mato-grossense entrou na reta final em modo de decisão.
Mauro escolheu Zé Medeiros.
E a máquina política que se movimentou em torno desse apoio foi suficiente para mudar o cenário.
Aqui está um detalhe que merece atenção:
Mauro não precisava necessariamente ser o mais votado para demonstrar força.
Ele precisava mostrar que tinha capacidade de influenciar uma eleição apertada.
E mostrou.
Quando entrou na disputa, não entrou apenas para fazer campanha.
Entrou para tentar mudar o resultado.
E mudou.
Pivetta também é parte dessa equação
Outra peça desse tabuleiro é Otaviano Pivetta.
Mauro Mendes não apenas deixou o Governo nas mãos de Pivetta.
Ele ajudou a construir a continuidade do seu grupo político.
Pivetta venceu a eleição para governador e começa o próximo mandato com uma bancada expressiva na Assembleia Legislativa.
Isso significa que Mauro não deixa apenas um sucessor no Palácio Paiaguás.
Deixa um grupo político organizado em torno do poder estadual.
E isso muda completamente a leitura da eleição.
Porque uma coisa é ganhar uma eleição.
Outra é sair dela com governador, senadores, deputados e aliados ocupando posições estratégicas.
Mauro conseguiu montar esse cenário.
Sai do Executivo estadual e entra em Brasília com mandato, aliados e uma rede política construída durante oito anos de governo.
O fim dos velhos grupos e a ascensão de um novo
E talvez seja aqui que a eleição de 2026 fique ainda mais interessante.
Enquanto nomes tradicionais da política mato-grossense perderam espaço — como Botelho, Júlio Campos e os Riva — Mauro Mendes aparece do outro lado do tabuleiro.
É quase uma troca de gerações.
De um lado, velhos sobrenomes perdem cadeiras.
Do outro, Mauro consolida uma nova estrutura de poder.
Não estou dizendo que a política tradicional acabou.
Longe disso.
Mas o mapa político de Mato Grosso mudou.
E Mauro está no centro desse novo mapa.
O homem que saiu do Palácio maior do que entrou
Mauro Mendes chegou ao Governo em 2019.
Sai em 2027 eleito senador e com seu grupo político ocupando posições estratégicas.
Isso merece uma análise fria.
Governadores costumam terminar seus mandatos tentando preservar alguma influência.
Mauro parece ter conseguido algo maior:
construiu uma sucessão.
Pivetta no Governo.
Virginia no Senado.
Ele próprio no Senado.
Zé Medeiros também no Senado.
E uma bancada estadual robusta orbitando o grupo vencedor.
Não é simplesmente uma vitória eleitoral.
É uma estrutura de poder.
Mauro é hoje o maior político de Mato Grosso?
Talvez essa seja a pergunta que fica.
E, dependendo do critério, a resposta pode ser sim.
Se força política for medida pela quantidade de cargos que seu grupo conseguiu conquistar, Mauro está muito forte.
Se for medida pela capacidade de influenciar uma eleição, também.
Se for medida pela capacidade de construir sucessor, novamente.
E se for medida pela presença em Brasília, ele agora terá duas cadeiras do seu grupo no Senado — uma delas ocupada por ele próprio.
Por isso, dizer que Mauro Mendes se consolida como uma das maiores forças políticas de Mato Grosso é pouco.
A pergunta que começa a ser feita nos bastidores é outra:
Mauro Mendes se tornou a maior força política de Mato Grosso?
As urnas de 2026 dão bons argumentos para quem responde que sim.
Mas existe uma coisa que a política ensina: poder precisa ser mantido.
Mauro agora terá quatro anos em Brasília para provar que consegue transformar a força eleitoral de 2026 em liderança política duradoura.
Porque ganhar uma eleição é difícil.
Ganhar várias disputas no mesmo tabuleiro é mais difícil ainda.
E fazer isso deixando aliados no Governo, no Senado e na Assembleia é algo que poucos conseguiram fazer em Mato Grosso.
**Mauro Mendes saiu do Palácio Paiaguás.
Mas, pelo tamanho do grupo que deixou montado, parece que levou o Palácio junto para Brasília.**
E esse talvez seja o verdadeiro resultado da eleição de 2026.












































