Sinop é a quarta maior cidade de Mato Grosso, uma potência econômica, polo regional e referência para todo o Nortão. Mas, quando o assunto é representatividade política na Assembleia Legislativa, mais uma vez saímos das urnas menores do que deveríamos.
Com mais de dez candidatos locais disputando uma vaga de deputado estadual — além daqueles de outras regiões que vieram buscar votos por aqui — Sinop pulverizou sua força eleitoral.
O resultado dessa matemática política foi simples: muitos candidatos, muitos projetos pessoais e poucos votos concentrados capazes de transformar a força eleitoral do município em cadeiras na Assembleia.
Dilmar Dal Bosco conseguiu a reeleição e continuará sendo o representante de Sinop na ALMT. Mas é preciso reconhecer que seu êxito não dependeu exclusivamente dos votos da cidade. Dilmar construiu ao longo dos anos uma base eleitoral regional e estadual, conquistando apoio fora de Sinop, fator fundamental para garantir mais um mandato.
Enquanto isso, outros candidatos locais ficaram pelo caminho.
O PSDB talvez seja o exemplo mais claro dessa falta de articulação. Marcos Vinicius e Adenilson Rocha disputaram pelo mesmo partido, buscando votos dentro da mesma cidade e, em boa parte, no mesmo eleitorado. No final, politicamente, morreram abraçados.
E não é a primeira vez.
Pela segunda eleição, o PSDB lança dois candidatos a deputado estadual em Sinop, dividindo forças que poderiam estar concentradas em um projeto eleitoral mais competitivo. Partido político existe também para construir estratégia, organizar lideranças e estabelecer prioridades. Quando cada grupo segue seu próprio caminho, a conta chega nas urnas.
E chegou novamente.
O problema é que quem perde não são apenas os candidatos derrotados. Sinop perde.
Uma cidade do tamanho e da importância de Sinop possui demandas gigantescas: infraestrutura, saúde, segurança, educação, esporte, desenvolvimento urbano e investimentos necessários para acompanhar um município que cresce rapidamente e atende praticamente todo o Norte de Mato Grosso.
Quanto maior a bancada de uma região, maior tende a ser sua capacidade de articulação política.
Agora, encerrada a eleição, Dilmar Dal Bosco continuará carregando praticamente sozinho a responsabilidade da representação estadual diretamente ligada a Sinop.
E a Capital do Nortão terá que esperar mais quatro anos para tentar mudar essa realidade.
Talvez a maior lição das urnas seja justamente essa.
Nos próximos quatro anos, nossas lideranças políticas precisam amadurecer. É necessário sentar à mesa, deixar vaidades de lado e compreender que nem toda eleição precisa ter uma multidão de candidatos locais disputando os mesmos votos.
Sinop precisa de menos projetos pessoais e mais projeto de cidade.
Não significa impedir ninguém de ser candidato. Democracia é exatamente o contrário. Mas liderança política também significa saber construir consenso, reconhecer quem possui melhores condições eleitorais e trabalhar por objetivos maiores.
Sinop tem eleitorado, importância econômica e força regional para possuir uma representação muito maior na Assembleia Legislativa.
O que está faltando talvez não sejam votos.
Está faltando união.
Daqui a quatro anos teremos outra oportunidade. Que até lá nossas lideranças entendam que uma cadeira na Assembleia não pertence a um candidato, a um grupo ou a um partido.
Ela representa uma cidade e toda uma região.
Porque enquanto Sinop continuar dividindo sua força dentro de casa, outros continuarão vindo aqui buscar os votos que poderiam fortalecer a nossa própria representatividade.
Isso é Jogo Bruto!











































