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30/09/2026

Eleições 2026

O DEBATE DA CENTRO AMÉRICA PARA GOVERNO…

Hoje alguuns amigos me perguntaram logo cedo, quem venceu o debate da TV Centro América para governo de Mato Grosso?

Debate eleitoral é diferente de palanque.

No palanque, o candidato escolhe o discurso, controla o ambiente, escolhe os aplausos e, muitas vezes, fala para uma plateia que já está convencida ou, pelo menos, é simpatizante. No debate, não! Ali, o adversário está a poucos metros, o tempo é contado e a pergunta pode vir justamente onde mais dói.

E foi exatamente isso que aconteceu na noite desta terça-feira, na TV Centro América.

Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko ficaram frente a frente em um debate marcado por saúde, segurança, servidores, habitação, BRT, infraestrutura e, principalmente, incentivos fiscais. O encontro teve quatro blocos e foi marcado por confrontos diretos, pedidos de direito de resposta e acusações entre os candidatos.

O “coronel da soja” encontrou adversários preparados

Pivetta entrou no debate com aquela postura de superioridade. Aquele ar de quem parece estar sempre acima dos demais esteve presente, inclusive, na apresentação dos números, como se estivesse fazendo um favor e não tivesse ganhado — e muito — enquanto governador e empresário.

Ali, no debate, apareceu o Pivetta que muitos já conhecem: o candidato que, diante da pressão, parte para o confronto e não parece gostar muito quando precisa deixar de falar dos seus números para responder aos questionamentos dos adversários.

O problema é que, quando se entra em um debate com a estratégia de atacar os adversários, é preciso estar preparado para receber de volta.

E Pivetta recebeu.

E teve um momento que chamou atenção

Natasha, única mulher entre os três candidatos, enfrentou Pivetta em temas delicados e também em questões relacionadas à violência contra a mulher, um verdadeiro calcanhar de Aquiles para qualquer governo que precise responder pelos números da segurança pública.

Em determinado momento, a reação de Pivetta — rindo diante da adversária durante a discussão do tema — chamou a atenção de quem acompanhava o debate, vale lembrar que o candidato foi acusado de violência contra mulher.

Um tema como esse não merece risos, mas seriedade.

Principalmente quando estamos falando de violência contra a mulher e feminicídio, assuntos que exigem do poder público muito mais do que números e discursos: exigem políticas efetivas, proteção e resultados.

E quando o candidato ri justamente durante uma discussão como essa, cabe ao eleitor fazer a leitura.

Em uma eleição em que violência contra a mulher, feminicídio e políticas de proteção feminina estão entre os temas centrais, gestos também comunicam.

E o eleitor é quem faz a leitura.

DNIT: tiro no pé

Outro momento interessante aconteceu quando Pivetta voltou a explorar o histórico de Wellington ligado ao DNIT.

Mas política tem memória.

Wellington lembrou que Luiz Antônio Pagot, hoje ligado a Pivetta e à coordenação de sua campanha, também possui histórico no DNIT e já foi alvo de investigações e acusações relacionadas à condução do órgão.

O assunto não é novo. Em outro debate, Wellington já havia usado a presença de Pagot na campanha de Pivetta para rebater críticas sobre o DNIT.

Ou seja: quando se abre a gaveta do passado para atacar o adversário, é preciso ter certeza de que não existe nada lá dentro que possa voltar para a mesa.

E então veio o assunto que incomoda o governo: incentivo fiscal

Talvez aqui esteja um dos pontos mais delicados do debate.

Incentivo fiscal não é simplesmente uma discussão sobre dar ou não dar benefício para uma empresa.

É uma discussão sobre dinheiro público, geração de emprego, retorno econômico e, principalmente, sobre os critérios utilizados para decidir quem recebe, quanto recebe e o que o Estado recebe em troca.

Durante o debate, Natasha questionou Pivetta sobre incentivos fiscais e Wellington voltou a explorar o assunto, incluindo a relação histórica de Pivetta com a Natural Pork.

Segundo dados apresentados por Wellington e divulgados anteriormente, a empresa teria acumulado cerca de R$ 491,97 milhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025.

E aqui entra uma discussão que vai muito além de ser legal ou ilegal.

Tem coisa que pode até ser legal, mas pode continuar sendo imoral aos olhos do cidadão.

Porque a pergunta é simples:

Quem ganha?

Wellington encontrou espaço para crescer no confronto

Wellington Fagundes adotou uma postura mais ofensiva em diversos momentos.

Atacou a gestão, falou de servidores, RGA, infraestrutura, saúde e aproveitou temas levantados pelos adversários para devolver críticas ao governo.

Também tentou transformar o debate em uma espécie de prestação de contas da atual administração.

Foi uma estratégia clara: menos defesa e mais cobrança.

E, nesse aspecto, Wellington soube aproveitar as deixas que apareceram durante o debate.

Natasha, por sua vez, ocupou um espaço diferente.

Entrou em temas sociais, saúde, segurança e violência contra a mulher, além de confrontar diretamente Pivetta em assuntos que envolvem a atual gestão.

Sem transformar o debate em uma simples briga de dois, a candidata conseguiu colocar suas pautas no centro de alguns dos momentos mais tensos da noite.

No fim, quem ganhou?

Essa é a pergunta que todo mundo está fazendo.

O fato objetivo é outro: Pivetta foi colocado diante de uma situação que todo candidato à reeleição enfrenta — defender o próprio legado enquanto os adversários tentam transformar cada resultado em cobrança.

Mas, para este colunista, ficou clara a desvantagem de Otaviano Pivetta.

Nervosismo, sorriso irônico, momentos de desconforto e dificuldade para responder a determinados questionamentos fizeram com que, na minha leitura, o candidato deixasse uma impressão abaixo daquela que provavelmente pretendia apresentar.

Wellington, por sua vez, talvez tenha sido quem melhor aproveitou as oportunidades do debate. Soube pegar as deixas, devolveu os ataques e manteve, na maior parte do tempo, um sorriso no rosto, sem precisar desrespeitar os adversários para se posicionar.

Natasha também se mostrou firme e preparada. Enfrentou Pivetta em temas delicados, sustentou seus argumentos e não se intimidou diante do confronto.

No meu placar pessoal, Wellington saiu na frente, Natasha veio logo atrás e Pivetta ficou em terceiro.

Mas essa é a minha leitura. Outros podem ter assistido ao mesmo debate e chegado a uma conclusão completamente diferente.

E democracia é justamente isso.

Domingo teremos a primeira decisão.

E aí vamos descobrir quem conseguiu transformar discurso em voto.

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