A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira (24), um mandado de busca e apreensão contra a empresa Terrana Combustíveis localizada em Várzea Grande, no âmbito da Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto.
A operação apura o suposto uso do sistema financeiro, por meio de contas e fundos de investimento, para ocultar a compra de uma das maiores distribuidora de combustíveis do país.
Ao todo, são cumpridos mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados. Em São Paulo, são 26 alvos, enquanto Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina têm um alvo cada.
Em Mato Grosso, o mandado foi cumprido contra uma empresa localizada em Várzea Grande, a base operacional da Terrana Combustíveis, cuja razão social é Tobrás Distribuidora de Combustíveis Ltda.
A ação conta com a participação da Receita Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, da Polícia Militar e da Polícia Civil, além do apoio dos Gaecos do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
De acordo com os investigadores, a organização teria criado estruturas financeiras e societárias para ocultar inicialmente os verdadeiros controladores de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo e, posteriormente, viabilizar a aquisição da distribuidora.
Controle de usina
A primeira estrutura teria sido criada para ocultar os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira, identificada durante a Operação Carbono Oculto.
Segundo a investigação, um operador financeiro, que seria titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a estrutura societária e financeira de seu grupo para movimentar recursos e criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina.
Embora a propriedade formal estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os investigadores apontam que a estrutura teria sido organizada para manter o controle econômico da usina sem revelar os reais beneficiários.
Um dos principais pontos identificados foi uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos por meio da transferência de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
A análise financeira apontou que parte relevante dos recursos usados na aquisição das cotas teria origem em fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo investigado. Para os investigadores, a operação teria criado um fluxo financeiro circular, dando aparência de legitimidade aos recursos e dificultando a identificação dos beneficiários.
A investigação aponta que a estrutura montada para ocultar a titularidade da usina teria sido posteriormente utilizada para viabilizar a aquisição da distribuidora de combustíveis.
Aquisição da distribuidora
Segundo as investigações, a compra da distribuidora teria sido estruturada por meio de bancos, fundos de investimento, escritórios de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada.
A usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização investigada para financiar a aquisição. Os valores teriam passado por várias contas de empresas do grupo antes de chegar à conta da usina.
De acordo com os investigadores, o dinheiro foi posteriormente aportado em um novo fundo de investimento criado para a operação.
Na sequência, o fundo teria adquirido um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV) junto a um banco tradicional. A instituição, por sua vez, teria utilizado os recursos em uma operação envolvendo duas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) destinadas a empresas apontadas como de fachada.
Segundo os investigadores, a estrutura teria permitido a capitalização das empresas e dificultado a identificação dos reais financiadores e beneficiários da aquisição da distribuidora.
Segundo as investigações, a compra da distribuidora foi estruturada por meio de bancos, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada.
A usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização investigada para financiar a aquisição. Os valores teriam passado por várias contas de empresas do grupo antes de chegar à conta da usina.
De acordo com a investigação, o dinheiro foi posteriormente aportado em um novo fundo de investimento criado para a operação.
Na sequência, o fundo teria adquirido um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV) junto a um banco tradicional. A instituição, por sua vez, teria utilizado os recursos em uma operação envolvendo duas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) destinadas a empresas apontadas como de fachada.
Segundo os investigadores, a estrutura teria permitido a capitalização das empresas e dificultado a identificação dos reais financiadores e beneficiários da aquisição da distribuidora.
Também foram utilizados recursos para a aquisição integral das cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis relacionados à operação já haviam sido transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários.
A investigação aponta que esse mecanismo permitia manter o controle econômico dos bens sem que eles aparecessem diretamente no patrimônio pessoal dos investigados.
Segundo os investigadores, fintechs, empresas, fundos, holdings e empresas-veículo exerciam funções diferentes dentro da estrutura. A fintech seria utilizada para circulação e fragmentação dos recursos; a usina, para receber e incorporar os valores à atividade formal; os fundos, como financiadores; e as holdings e empresas-veículo, para dificultar a ligação entre os recursos e os beneficiários finais.
R$ 11,6 bilhões
Uma das empresas financeiras envolvidas na estrutura teria movimentado cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Segundo a investigação, o volume financeiro, analisado em conjunto com as demais evidências, reforça os indícios de utilização da estrutura para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de dinheiro.
Midia News
