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23/09/2026

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Alice no pais das maravilhas! Quanto vale mudar de lado?

Alice, no País das Maravilhas, ataca mais uma vez.

O tempo passa, os palanques mudam, os discursos se renovam, mas uma velha frase continua servindo perfeitamente para a política de Alice: “Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.”

A diferença é que, na política real, os caminhos quase sempre têm endereço, aliados e, principalmente, interesses que nem sempre é o da honra.

Rosana Martinelli, ex-prefeita de Sinop e segunda suplente de Wellington Fagundes, decidiu mudar de lado na eleição para o Governo de Mato Grosso. Depois de caminhar politicamente ao lado de Wellington e integrar a chapa que poderia levá-la novamente ao Senado, agora declarou apoio a Otaviano Pivetta.

E não foi uma mudança silenciosa.

A própria Rosana reconheceu, em entrevista, que, olhando para seu “cenário particular”, seria melhor apoiar Wellington. Ainda assim, justificou a escolha pela continuidade das obras e dos investimentos do governo.

Tudo legítimo. Apoio político é uma decisão individual.

Mas política também é feita de perguntas.

E a pergunta que ficou no ar é simples:

O que mudou?

Porque, quase ao mesmo tempo em que anunciou o rompimento político com Wellington, surgiu a informação de que Rosana deverá integrar o Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste, empresa controlada pelo Governo de Mato Grosso por meio da MT Par. Segundo as notícias publicadas, o convite teria partido do próprio governador e a indicação ainda precisaria ser formalizada.

Coincidência?

Não existe coincidência na politica!

E justamente por isso a sociedade tem o direito de perguntar.

Quanto vale uma mudança de lado?

Nos bastidores circula a informação de que a participação no conselho poderia render algo próximo de R$ 30 mil mensais.

Mas a pergunta continua:

Quanto vale uma mudança de lado quando, junto com ela, aparece a possibilidade de ocupar um espaço remunerado dentro de uma estrutura ligada ao governo?

Alice no país das maravilhas já ocupou a cadeira de senadora como suplente de Wellington e construiu sua trajetória política dentro de um determinado campo. Agora, depois de mudanças partidárias e do fim da possibilidade de disputar uma vaga de deputada federal pelo MDB, aproximou-se do Coronel da Soja.

O próprio confirmou a aproximação e disse que Rosana “vai trabalhar” com seu grupo. Dias depois, ela apareceu ao lado de Pivetta em articulações políticas em Sinop.

É aí que entra a velha Alice, esta não muda.

Aquela personagem que parece estar sempre procurando o próximo caminho.

Se o caminho leva para um lado, vai.

Se amanhã aparecer uma estrada melhor do outro lado, muda.

E talvez essa seja a grande discussão: na política, mudar de opinião é legítimo. Mudar de projeto também. Mas o eleitor tem o direito de saber o que provocou a mudança.

E a tal ética?

Ética e honra não são palavras que deveriam ser usadas apenas quando ficam bonitas em discurso.

Também não pertencem exclusivamente a um lado político.

Quem muda de posição precisa explicar.

Quem oferece espaço precisa explicar.

E quem está olhando de fora também tem o direito de perguntar.

Não é preciso acusar ninguém de nada.

Basta fazer a pergunta que todo eleitor faria diante de uma mudança tão conveniente no calendário político:

foi convicção ou conveniência?

Porque, quando uma mudança política acontece exatamente no momento em que surge a possibilidade de ocupar um espaço de poder, a coincidência naturalmente chama atenção.

E quanto maior o benefício possível, maior deveria ser a transparência.

Alice continua procurando o caminho

O eleitor também tem o direito de desconfiar, questionar e comparar discursos com atitudes.

Afinal, na política, palavra tem peso.

E quando uma pessoa passa de um palanque para outro, especialmente quando os dois lados estão em disputa direta, não basta dizer que o caminho mudou.

É preciso explicar por quê.

Porque, no País das Maravilhas, qualquer caminho pode servir.

Mas no mundo real, principalmente quando existe dinheiro público, poder e eleição envolvidos, o caminho precisa ser iluminado pela transparência.

E talvez seja justamente isso que esteja faltando nessa história.

Não uma explicação sobre para onde Alice está indo.

Mas sobre o que ela encontrou no caminho que fez valer a pena mudar de direção.

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