Amigos de Paulo Witter Farias, conhecido como “WT”, apontado pela Polícia Civil como ex-tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, e a advogada Dayane Moreira investigada por atuar em favor da facção foram alvos da Operação Replay, deflagrada na manhã desta quinta-feira (30). Segundo a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o grupo continuava operando o núcleo financeiro da organização criminosa e movimentou mais de R$ 17 milhões.
A operação é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que já haviam atingido a cúpula financeira da facção. Nesta nova fase, a Polícia Civil cumpre 10 mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, quebra de sigilos e medidas de bloqueio patrimonial contra 14 investigados em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
De acordo com a Draco, a análise de celulares, mensagens e documentos mostrou que pessoas próximas a WT permaneceram administrando a estrutura financeira do Comando Vermelho mesmo após a prisão da liderança. Entre os investigados estão amigos do faccionado e uma advogada, apontados como responsáveis por ocultar patrimônio, utilizar contas bancárias de terceiros e movimentar recursos provenientes das atividades criminosas.
As investigações revelaram que a organização mantinha uma divisão de funções, com operadores financeiros, pessoas encarregadas da lavagem de dinheiro e colaboradores responsáveis por adquirir bens em nome de terceiros para dificultar a identificação da origem dos recursos.
A contabilidade encontrada pelos investigadores registrou R$ 15,324 milhões em movimentações financeiras atribuídas ao grupo criminoso, valor que fundamentou o pedido de bloqueio judicial de ativos. Em uma das planilhas apreendidas, os policiais localizaram registros de R$ 14,093 milhões em valores congelados e outros R$ 1,231 milhão referentes ao período analisado, além de anotações sobre arrecadação, prestação de contas, distribuição de dinheiro entre integrantes e movimentação de grandes quantidades de entorpecentes.
Além do bloqueio financeiro, a Justiça determinou o sequestro de imóveis e veículos avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões. Entre os bens estão apartamentos de alto padrão em Itapema e Balneário Camboriú, uma casa de luxo em condomínio fechado em Camboriú, uma residência em Cuiabá, três terrenos e quatro veículos registrados em nome de investigados ou de pessoas ligadas ao grupo.
Segundo a Polícia Civil, as investigações também comprovaram que WT continuou exercendo influência sobre a facção mesmo preso em um setor de segurança máxima do sistema penitenciário estadual. As comunicações interceptadas mostram que ele determinava cobranças, acompanhava arrecadações, conferia planilhas financeiras e orientava operadores que permaneciam em liberdade.
Outro elemento considerado relevante pela Draco foi a identificação de que o mesmo chip telefônico atribuído a WT foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026, estratégia que teria sido adotada para dificultar o rastreamento das comunicações clandestinas.
Batizada de Replay, a operação faz referência à capacidade de reorganização da organização criminosa após ações anteriores. Conforme a Polícia Civil, o objetivo é desarticular o núcleo financeiro ligado à antiga liderança exercida por WT, interromper o fluxo de recursos da facção e impedir que o patrimônio acumulado continue sendo utilizado para financiar as atividades do Comando Vermelho.













































