Saúde

Mudança do perfil epidemiológico da meningite acende alerta na Saúde

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Em diferentes regiões do país, os registros de meningite acenderam um alerta para a saúde pública, especialmente, devido ao crescimento do sorogrupo B, responsável por cerca de 55% dos casos, índice superior ao do tipo C.

A doença é grave, evolui rapidamente e acomete principalmente crianças, o que exige atenção redobrada, até porque as formas de acesso à vacina ainda são distintas na rede de saúde.

O alerta, válido para Mato Grosso, foi reforçado pelos infectopediatras Ricardo Zilli e Isabela Lopes, durante uma masterclass “Meningite Meningocócica no Centro-Oeste: um alerta à saúde no Brasil”, realizada na terça-feira (16) pela farmacêutica GSK, em Brasília (DF).

Eles explicam que as meningites são consideradas endêmicas no país, podendo ocorrer casos durante todo o ano.

A doença é provocada por diferentes agentes infecciosos, como bactérias, vírus e fungos.

Embora existam diversos tipos da doença, a meningite bacteriana, especialmente a meningite meningocócica, é a que mais preocupa devido ao seu potencial de rápida evolução, podendo causar sequelas graves e permanentes ou levar a óbito em menos de 24 horas.

Os dados mostram que, somente em 2025, foram registrados mais de mil casos de doença meningocócica no país, sendo 28 no Centro-Oeste.

Apesar disso, a garantia é de que o cenário não é um surto, mas de atenção.

“Não é surto, mas de alerta. Infelizmente, dos casos que tivemos até o momento nós tivemos em torno de um terço de letalidade, o que nos chama atenção mais vez para a necessidade da prevenção através da vacinação e da etiqueta respiratória”, destacou Isabela Lopes.

Em Mato Grosso, já são 57 casos da doença registrados neste ano, entre os diferentes sorotipos, número superior aos 25 contabilizados ao longo de todo o ano de 2025.

Dois casos de meningite bacteriana foram confirmados em abril passado em Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá).

Entre os pacientes, que apresentam relação epidemiológica já que as vítimas são da mesma família e tiveram contato próximo, está uma criança de 5 anos, que veio a óbito.

Já número de mortes por meningite no Estado subiu para nove, após a confirmação do óbito de Thauan da Silva Moreira, de apenas 3 meses, em Tangará da Serra (253 km a Nordeste de Cuiabá).

O bebê morreu no dia 29 de maio passado.

De acordo com Ricardo Zilli, as formas bacterianas costumam ter maior incidência durante o outono e o inverno, especialmente entre maio e outubro, período em que também aumenta a circulação da doença meningocócica. Já as meningites virais são mais frequentes na primavera e no verão.

Os especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e a vacinação são fundamentais para reduzir o risco de casos graves e mortes provocadas pela doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atualmente a ACWY/C, e a meningo B é encontrada na rede privada pelo preço médio de R$ 700,00.

A expectativa é que o imunizante seja disponibilizado pelo SUS para crianças a partir de 3 meses de idade em breve. Com esse objetivo, um projeto de lei (PL) 1286/2023, que determina a inclusão obrigatória da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI), encontra-se em tramitação no Congresso Nacional.

“É importante investirmos nos nossos filhos. Uma festa pode esperar, mas a oportunidade de vida nem sempre vai poder esperar. A vacinação salva verdadeiramente vidas”, aconselhou Suelen Caroline Santiago, fundadora e Presidente da Associação Brasileira de Combate à Meningite (ABCM) e mãe do sobrevivente João Marcos.

A história da ABCM (@combateameningite) nasceu após o filho dela ter contraído meningite ainda bebê, em 2017. Após mais de 100 dias na UTI, ele sobreviveu, mas ficou com sequelas graves que vão acompanhá-lo pelo resto da vida.

Depois dessa experiência, Suelen Santiago e o marido decidiram criar a associação para ampliar informação sobre a doença, prevenção e vacinação.

DMI – A meningite do tipo B está entre as causas de doença meningocócica invasiva (DMI), que pode evoluir para óbito em até 24 horas.

A doença atinge membranas que envolvem o cérebro, sendo letal ou deixando graves sequelas como surdez, paralisia e amputação de membros.

No Centro-Oeste a taxa de letalidade da DMI chegou a 33,3% em 2026, o que significa que um em cada três pacientes diagnosticados não sobrevive à infecção.

O índice é o dobro da média nacional registrada neste ano, estimada em 16,6%.

Preocupa mais ainda o fato dela estar mais frequente em menores de um ano.

Joanice de Deus / DC

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