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28/08/2026

Geral

Metade das cidades de MT tem baixo desenvolvimento sustentável

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Nenhum dos 142 municípios de Mato Grosso alcança nível alto ou muito alto de desenvolvimento sustentável e pouco mais da metade está na faixa considerada baixa. São 72 cidades nessa situação, enquanto as outras 70 apresentam desempenho médio.

Cuiabá integra o grupo de baixo desenvolvimento sustentável. A Capital alcançou 48,34 pontos e ocupa apenas a 3.946ª colocação entre os 5.570 municípios brasileiros avaliados. Entre as capitais, aparece na 16ª posição.

Os dados fazem parte da nova edição do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), divulgada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), durante o 4º Fórum Cidades Sustentáveis, em São Paulo.

O levantamento reúne 100 indicadores relacionados a áreas como saúde, educação, pobreza, renda, habitação, saneamento, segurança e meio ambiente e mede o desempenho dos municípios em relação aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

A escala varia de zero a 100. Quanto mais próximo de 100, maior o nível de desenvolvimento sustentável alcançado pelo município.

Cuiabá melhora, mas fica abaixo de 2022

A pontuação de Cuiabá avançou em relação ao levantamento anterior. Em 2025, a cidade havia registrado 47,08 pontos. Agora são 48,34, aumento de 1,26 ponto.

Apesar da recuperação, a Capital permanece abaixo do resultado alcançado em 2022, quando registrou 52,4 pontos. A diferença é de 4,06 pontos.

Os resultados também revelam contrastes entre as áreas avaliadas.

O melhor desempenho de Cuiabá aparece em água limpa e saneamento, com 76,9 pontos. Saúde e bem-estar alcançam 63,34 pontos, enquanto trabalho decente e crescimento econômico registram 64,5.

Educação de qualidade aparece com 60,9 pontos e ação contra a mudança global do clima, com 60,7.

Na outra ponta, indústria, inovação e infraestrutura registram apenas 14,51 pontos, a menor pontuação entre as áreas analisadas na Capital.

Parcerias e meios de implementação têm 21,48 pontos.

Também aparecem em nível baixo cidades e comunidades sustentáveis, com 34,15; redução das desigualdades, 35,34; consumo e produção responsáveis, 35,21; vida na água, 30; vida terrestre, 41,36; igualdade de gênero, 43,41; e paz, justiça e instituições eficazes, com 49,27.

Erradicação da pobreza, com 51,7 pontos, e fome zero e agricultura sustentável, com 51,3, apresentam desempenho médio.

Capital fica atrás de Brasília

Entre as capitais brasileiras, Brasília obteve a maior pontuação, com 61 pontos. Curitiba aparece em seguida, com 58,1, e São Paulo, com 58.

Porto Velho ocupa a última colocação entre as capitais, com 38,7 pontos.

No Centro-Oeste, Cuiabá também fica atrás de Goiânia e Campo Grande. A capital de Goiás alcançou 54,88 pontos e aparece na quinta colocação entre as capitais brasileiras, enquanto Campo Grande registrou 54,24 e ficou em sexto.

Ambas estão classificadas no nível médio de desenvolvimento sustentável.

Ribeirãozinho lidera em MT

Mesmo os municípios mato-grossenses mais bem posicionados não conseguiram alcançar a faixa de alto desenvolvimento.

Ribeirãozinho apresenta o melhor resultado do Estado, com 58,30 pontos. Santa Rita do Trivelato vem em seguida, com 57,90, e Santa Carmem ocupa a terceira posição, com 57,87.

Na outra ponta do ranking estadual estão Colniza, Peixoto de Azevedo e Campinápolis.

Colniza registra 40,64 pontos. Peixoto de Azevedo tem 39,56 e Campinápolis apresenta o pior resultado de Mato Grosso, com 37,24 pontos.

A distribuição mostra que 50,7% dos municípios mato-grossenses estão na faixa de baixo desenvolvimento sustentável e 49,3% na categoria média.

Oito das dez melhores estão em SP

No cenário nacional, oito das dez cidades com maior pontuação ficam no Estado de São Paulo e duas em Minas Gerais.

Santana da Ponte Pensa (SP) lidera o ranking brasileiro, com 67,8 pontos. Uru (SP), com 67,2, e Santópolis do Aguapeí (SP), com 66,8, completam as três primeiras posições.

Na outra extremidade, os dez municípios com os piores resultados estão localizados na Amazônia Legal.

Lábrea aparece com 32,8 pontos, Ulianópolis registra 32,9 e Envira, 34,1.

Durante o lançamento do levantamento, o professor de Planejamento Territorial da Universidade Federal do ABC (UFABC), Arilson Favareto, defendeu que os indicadores sejam transformados em estratégias para os municípios.

“Precisamos pensar em estratégias de desenvolvimento sustentável, transformar a nossa leitura do monitoramento e dos indicadores em estratégias. O Brasil tem que voltar a ter a capacidade de imaginar o seu futuro”, afirmou.

Para ele, há concordância sobre objetivos como redução da pobreza e das desigualdades e aumento da sustentabilidade ambiental, mas ainda existem divergências sobre os caminhos para alcançá-los.

“Uma estratégia de desenvolvimento sustentável só vai existir se ela for construída a partir de coalizões, a partir de formas de cooperação e do diálogo entre esses diferentes tipos de atores”, disse.

100 indicadores

Criado pelo Instituto Cidades Sustentáveis, o IDSC-BR utiliza dados de bases públicas nacionais e oficiais, entre elas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), DataSUS e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O índice acompanha o desempenho das cidades brasileiras nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e permite comparar os resultados entre municípios e ao longo do tempo.

O Instituto Cidades Sustentáveis é uma organização da sociedade civil criada em 2007 e atua em temas relacionados ao desenvolvimento urbano, fortalecimento das instituições públicas e enfrentamento das mudanças climáticas.

Joanice de Deus/ DC

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