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16/06/2026

Judiciário

Juarez Costa teria recebido R$ 30 milhões e uma BMW em propina

O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) foi delatado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a acusação de ter recebido R$ 30 milhões e um automóvel BMW em propina, quando era prefeito de Sinop (502 km ao norte de Cuiabá) entre 2009 e 2016. A informação é do Portal Metrópoles e o deputado não se manifestou ainda.

Segundo a reportagem desta terça-feira (16), Juarez foi delatado por executivos da Aegea, líder no setor privado de saneamento básico no Brasil. As colaborações premiadas ocorreram entre 2020 e 2021, e foram homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) apenas em 2025, sob relatoria do ministro Mauro Campbell.

Segundo a reportagem, o ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, relatou aos procuradores que autorizou pagamentos que somaram R$ 30 milhões ao então prefeito e atual deputado federal ao longo de anos até chegar a 2018. Os pagamentos ocorreram em Cuiabá e em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

“Segundo o executivo, os recursos seriam destinados ao pagamento de dívidas de campanha de Juarez Costa. Amadeo também declarou que Juarez Costa pediu uma BMW em 2014 como parte do pagamento de propina. Conforme o depoimento, ele autorizou subordinados a providenciar a compra do veículo. Em troca, o então prefeito mudou regras e criou leis que beneficiaram a empresa”, diz trecho do texto assinado pelo jornalista Eduardo Militão.

A reportagem ainda afirma que os depoimentos foram corroborados pelo ex-diretor financeiro da Aegea, Flávio Crivellari, que afirmou que o carro custou R$ 330 mil à época, o equivalente a cerca de R$ 625 mil em valores corrigidos pela inflação.

“Crivellari afirmou que o hoje deputado solicitou diretamente ao presidente da companhia a compra do automóvel. Segundo o relato, o veículo foi adquirido e transferido por intermédio do operador Eduardo Valdívia, consultor terceirizado da concessionária de água e esgoto”, diz outro trecho da reportagem. Veja trechos da reportagem:

Dinheiro em espécie na praia  

Outros executivos também citaram o ex-prefeito como destinatário de propina. São eles: o ex-diretor administrativo Felipe Bueno Marcondes Ferraz, o ex-responsável comercial Mário Roberto Amorim Baltar e a ex-gerente técnica Fernanda Bassanesi. Ferraz disse que operou o “caixa 2” de Juarez Costa a partir de 2015. Segundo ele, o então prefeito utilizava três emissários para retirar dinheiro em espécie na sede da Aegea, em São Paulo. Também haveria entregas em Cuiabá (MT) e em Santa Catarina.

Ferraz relatou que, ao longo de 2015 e no primeiro trimestre de 2016, foram entregues maços de dinheiro a intermediários em um endereço de Balneário Camboriú (SC). O ponto de encontro seria um cruzamento entre a Avenida Brasil e a Rua 3.300, nas proximidades de um hotel.

De acordo com o ex-executivo, nesse local foram entregues R$ 1,2 milhão destinados ao deputado. Ele contou que o responsável pelas entregas viajava até Balneário Camboriú com um número de telefone anotado e, ao chegar à cidade, fazia contato para combinar a retirada dos valores na esquina da Avenida Brasil.

Em setembro de 2016, período próximo aos fatos narrados na delação, Juarez Costa foi alvo de mandado de busca na Operação Sorrelfa, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso para investigar um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Três mandados foram cumpridos em Santa Catarina, segundo comunicado divulgado pelo MP estadual.

Três dias após a operação, o site mato-grossense ‘Midiamax’ publicou que investigadores tinham imagens de cheques da empresa RJD Construções usados para pagar despesas do então prefeito em Balneário Camboriú, incluindo imóveis na cidade. A empresa prestava serviços à Aegea, que, por sua vez, atendia à prefeitura.

As informações divulgadas à época coincidem com depoimentos prestados anos depois por Felipe Ferraz ao Ministério Público Federal. Segundo ele, a companhia remunerava a RJD Construtora por serviços com sobrepreço de 20%, percentual que incluiria valores destinados a Costa.

Como a RJD recebeu R$ 23,5 milhões entre 2015 e 2018, o montante que teria abastecido o esquema alcançaria R$ 4,7 milhões, de acordo com os cálculos apresentados por Ferraz.

Postos de gasolina teriam sido usados para mascarar pagamentos  

Mário Baltar disse que era interlocutor direto de Juarez Costa em Sinop. Segundo seu depoimento, entre 2013 e 2014 recebeu pedidos que somaram exatamente R$ 3.083.275 para despesas de campanha. Para efetuar os repasses, a Aegea teria simulado compras de combustíveis em postos da cidade.

Os estabelecimentos teriam sido indicados pelo próprio prefeito, conforme o depoimento de Flávio Crivellari. Os depósitos foram feitos para quatro postos em transferências fracionadas realizadas por duas empresas do grupo: Águas de Guariroba e Nascentes do Xingu.

Crivellari corroborou o relato de Baltar e declarou que as compras de combustíveis eram fictícias.  O ex-diretor financeiro também afirmou que o operador Eduardo Valdívia mencionou o uso dos postos. Segundo ele, a empresa de Valdívia, a Foccos Engenharia, teria sido utilizada para solicitar adiantamentos que abasteciam esse sistema de pagamentos. Os repasses ultrapassaram R$ 3 milhões.

Outro lado

A reportagem do GD tentou contato com o deputado, mas não houve resposta.

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