As exportações de Mato Grosso para os Estados Unidos caíram cerca de 40% no mês de agosto, em comparação com agosto de 2024, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse foi o primeiro mês de vigor do tarifaço de 50% imposto pelo presidente americano Donald Trump.
O principal item impactado é a gelatina, com redução de 69% no volume e 70% no faturamento. A plataforma Comex-Stat aponta que, em agosto de 2024, Mato Grosso enviou 187,3 toneladas do produto para os EUA, com faturamento de US$ 958 mil (R$ 5,19 milhões). Em agosto de 2025, o volume caiu para 57,9 toneladas e o faturamento, US$ 284,9 mil (R$ 1,54 milhão).
O economista e especialista em comércio exterior, Vitor Galesso, explica que o impacto é setorial, como no caso das gelatinas e seus derivados. Outro setor impactado é o da madeira, principalmente as de origem do manejo florestal. Conforme os dados oficiais, o faturamento desse setor caiu de US$ 742,1 mil (R$ 4,02 milhões) para US$ 285,4 mil (R$ 1,55 milhão) nos meses analisados.
“Setores mais amplos, que são os tradicionais exportadores, não tiveram prejuízo grande, efetivamente significativos, no sentido de romper o mercado”, afirma Vitor. O economista aponta também que o setor de gelatina deve mudar a estratégia para escapar do tarifaço.
Uma das possibilidades apontadas por Vitor é fazer uma “triangulação” das mercadorias, utilizando a Argentina como entreposto. Os números do Comex-Stat indicam essa direção, com aumento das exportações para os “hermanos” em julho, mês do anúncio de Trump, e agosto, quando já estava em vigor.
“A própria estratégia da indústria de gelatina deve mudar. Como exportam para todo o mundo, inclusive para os Estados Unidos, existe uma possibilidade de eles fazerem uma triangulação. Repassar para a fábrica da Argentina o produto que eles têm e a Argentina passar a exportar o produto para os Estados Unidos”, afirma.
Segundo os dados oficiais, Mato Grosso enviou para a Argentina 321 toneladas em agosto de 2025, número maior do que o registrado em julho (mês do anúncio do tarifaço), quando foram enviadas 240 toneladas — também superior aos meses anteriores. Em junho, a exportação de gelatinas para a Argentina foi de 144 toneladas.
A reportagem entrou em contato com a PB Leiner, principal empresa do setor em Mato Grosso, com sede em Acorizal, para confirmar se o aumento ocorre em razão do tarifaço e qual seria o custo logístico dessa operação. Até a publicação desta reportagem, a PB Leiner não havia se manifestado.
Além disso, outros produtos não foram exportados em agosto deste ano, como óleos vegetais, que em agosto de 2024 registraram 303,4 toneladas, com faturamento de US$ 238,8 mil (R$ 1,29 milhão). Algumas leguminosas, incluindo feijão, também não foram enviadas ao mercado americano. Em agosto de 2024, foram exportadas 124,5 toneladas de legumes de vagens.
A castanha-do-pará, coco e castanha de caju também não foram embarcadas em agosto de 2025. Em agosto de 2024, foram enviadas 13,3 toneladas desses produtos para os americanos.
O gigantesco mercado da gelatina em MT
As informações do Comex-Stat apontam que, em 2024, Mato Grosso exportou 6.347,5 toneladas para 17 países e teve faturamento de US$ 35,7 milhões (R$ 193,5 milhões).
As exportações partem apenas de Acorizal, onde a PB Leiner está instalada. Já considerando apenas até agosto de 2024, o volume exportado foi de 3.992,6 toneladas, com faturamento de US$ 23,5 milhões (R$ 127,4 milhões). No acumulado até agosto de 2025, foram exportadas 5.044,3 toneladas do produto para 15 países, com faturamento de US$ 24,1 milhões (R$ 130,9 milhões).
Felipe Leonel/Estadão MT













































