Sorriso e Lucas vão ter centros de triagem e recuperação de animais silvestres

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Mato Grosso vai implantar os primeiros Centros de Triagem (Cetas) e de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) nos municípios de Lucas do Rio Verde e Sorriso . A proposta da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) é construir cerca de cinco deles em várias regiões do estado.

Várzea Grande, Rondonópolis e Barra do Garças também estão no cronograma de implantação dos centros, que têm importância fundamental no atendimento a animais vítimas em sua maioria de atropelamentos em rodovias e tráfico. Outra finalidade importante é se tornarem espaços para pesquisa científica e educação ambiental de crianças e jovens.

Conforme o secretário de Meio Ambiente e vice-governador Carlos Fávaro, que esteve em reuniões para tratar deste assunto nesta quinta-feira (06.04), o estado assumiu esta demanda, que era do Ibama, em 2013, e precisa criar a estrutura necessária, que nunca houve no estado. “Mas não se concretiza um projeto como esse da noite para o dia, nem sozinho, porque exige um volume considerável de recursos para construir e manter, em razão disso estamos buscando parcerias”.

O esforço conjunto vai permitir que Lucas do Rio Verde (354 km ao norte da capital) seja pioneiro na construção do Cetas: a prefeitura cedeu de um 1 hectare, com possibilidade de expansão; a Sema e o Ministério Público Estadual (MPE) viabilizarão madeira de apreensão proveniente de ações de fiscalização da Sema e do Ibama para a edificação dos recintos e também recursos necessários para as obras; e a gestão do espaço será feita pela ONG Amibem, com apoio de voluntários.

“Nós abraçamos esta causa por termos uma visão de futuro, não só em relação à preservação da nossa biodiversidade, que é rica e maravilhosa. Também queremos educar nossas crianças para que abandonem o hábito de explorar os outros seres. Ao invés de manter zoológicos ou mesmo pássaros em gaiolas, nossa perspectiva é que queiram apreciá-los livres na natureza”, explica Roseana Oliveira, presidente da Amibem.

O prefeito de Lucas do Rio Verde, Luiz Binotti, afirma que é com satisfação que anuncia a proposta de implantar o primeiro Cetas, já que o município tem uma tradição em políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável. “Não se trata apenas de cuidar da fauna silvestre, o propósito é muito maior, para quem sabe ter um curso de medicina veterinária no futuro e outras ações de pesquisa na região”.

O procurador de Justiça da Procuradoria Especializada de Defesa Ambiental e de Ordem Urbanística do MPE, Luiz Alberto Scaloppe, acompanhou a comitiva da Sema nas visitas e se colocou, juntamente com os promotores dos dois municípios, a ser parceiro em diversas demandas ambientais. “Somos um grande produtor em diversas áreas, mas a nossa população vive predominantemente nas cidades, que é hoje palco de diversos problemas. Não adianta o Ministério Público apenas cobrar do estado e das prefeituras, temos que ajudar nas soluções”.

Em Sorriso

A proposta é de construção de um Cras, que tem o atendimento ampliado em relação ao Cetas, pois além de triagem e reabilitação, faz a destinação dos animais silvestres. O espaço de 5 hectares será doado pelo o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT). O projeto também contará com a doação de madeira do Ibama e da Sema para a sua construção. Os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados pelo MPE na região devem priorizar a construção e manutenção do serviço pelas promotorias locais.

O prefeito Ari Lafin afirma que apesar da dificuldade orçamentária que o município enfrenta, com queda de arrecadação, é importante ser pioneiro na área ambiental. “Acredito que a união dos parceiros trará reflexos positivos, mais do que ser a capital do agronegócio, Sorriso quer ser referência mundial em meio ambiente e sustentabilidade. Estamos com as portas abertas para ajudar o estado nessa missão de implantar o Cras”.

Balanço da fauna

Nos últimos dois anos, a Sema, em parceria com o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), resgatou 1.420 animais silvestres, cerca de 80% foram devolvidos à natureza e menos de 1% vieram a óbito.

Criar animal silvestre é crime

A Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, estabelece pena de seis meses de detenção e multa para quem manter em casa animais silvestres sem a devida autorização/licença do órgão competente. A sanção vale também para quem matar, caçar, vender ou transportar estes animais.

Denúncias ou informações

A Sema orienta que quem presenciar atropelamentos ou outras situações, como abandono, por exemplo, tenha cuidado. Alguns animais silvestres oferecem riscos, especialmente quando machucados. Para outras informações ou mesmo em caso de resgate, ligue para o número 190, da Polícia Militar. Em caso de dúvida, entre em contato com a Coordenadoria de Fauna na Sema: (65) 3613-7291.

 

Fonte Assessoria

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