Marcel de Cursi deixa presídio após quase 2 anos

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O ex-secretário de Estado de Fazenda Marcel de Cursi deixou o Centro de Custódia da Capital (CCC) por volta de 20h30 desta terça-feira (11), após 1 ano e 10 meses da deflagração da operação Sodoma pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), que apurava fraudes em incentivos fiscais às empresas de João Batista Rosa durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que saiu da cadeia no mês passado.

Algumas horas após o desembargador do Tribunal de Justiça, Alberto Ferreira de Souza, deferir o habeas corpus impetrado pela defesa de Cursi, uma viatura do sistema penitenciário chegou ao CCC com a tornozeleira eletrônica, que foi colocada no réu por corrupção. Cerca de uma hora depois, chegou a oficiala de justiça com o alvará de soltura, que conferiu se a monitoração eletrônica já estava sendo cumprida.

Pouco tempo depois, foi possível ouvir os passos de diversas pessoas que vinham em direção ao portão do presídio. Em seguida, vários abraços, cumprimentos, despedidas e agradecimentos. Era Marcel de Cursi em seu último contato com os agentes prisionais na unidade. Ele agradeceu aos servidores “por tudo” e atravessou o portão ao som de um “vai com Deus” de uma agente.

Do lado de fora, seus dois advogados, Goulth Valente e Marcos Dantas o aguardavam. Sorridente, Marcel de Cursi os abraçou calorosamente e andou em direção ao carro. Pela primeira vez dede que foi preso, ele não se importou com a presença de poucos jornalistas que o filmavam e fotografavam. Ele se negou a fazer qualquer declaração, mas agradeceu a oportunidade de falar.

Cursi deixou o presídio apenas com sacos e caixas de papéis em direção à sua residência, no bairro Jardim Shangri-lá, na Capital.

Defesa

Enquanto aguardavam a saída de seu cliente da prisão, os advogados do ex-secretário de Estado criticaram a demora na soltura e a falta de igualdade nas decisões que atingiram os réus. “Se a gente manusear todo o processo, vamos perceber que houve um tratamento diferenciado para quem colaborou, para quem confessou e para quem delatou. Fica muito claro que havia uma intenção de forçar que os presos apresentassem algo para alimentar a vontade do Ministério Público de continuar imputando crimes”, afirmou Marcos Dantas.

Questionado sobre uma possível delação premiada ou confissão, o advogado Goulth Valente negou a possibilidade de uso dessa estratégia, uma vez que Marcel defende sua inocência. “A gente tem a convicção da inocência do nosso cliente. Não fizemos delação, foi uma decisão do Tribunal de Justiça. O Marcel nunca se propôs a fazer confissão ou colaboração premiada porque ele nunca fez parte de nenhuma organização criminosa, nunca foi o mentor intelectual daquilo que o Ministério Público tenta imputar a ele”, defendeu.

 

 

Fonte GazetaDigital

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