Fávaro renuncia e diz que não seria ético continuar vice de Taques – veja ofício e carta

O vice-governador de Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD), entregou nesta quinta-feira (5) o ofício comunicando sua renúncia. O documento foi encaminhado ao deputado estadual Eduardo Botelho (DEM), presidente da Assembleia Legislativa. “Informo a Vossa Excelência, que renuncio, a partir desta data, ao cargo de vice-governador”, diz o ofício.

Carlos Fávaro pretende lançar candidatura ao Senado, representado os ruralistas. Se prosseguisse como vice, sua aspiração política no pleiteo deste ano seria prejudicada juridicamente.

Ao substituir o governador Pedro Taques (PSDB), por motivo de viagem ou qualquer compromisso temporário a partir de 7 de abril, Fávaro estaria legalmente impedido. O político relata ainda o lado moral de sua decisão.

“Sou fiel às minhas convicções políticas e aos princípios que regem minha vida pessoal e de homem público, assim, não faria sentido nesse período de construção de candidatura manter os custos da vice-governadoria, de modo a desperdiçar todo o esforço despendido ao longo desses 3 anos, 3 meses e 5 dias, em que sempre buscamos a eficiência na gestão dos recursos públicos”, afirmou Fávaro no ofício.

A saída era especulada desde o começo de fevereiro. “Nos termos do artigo 26, inciso II da Constituição fedrel, solicito que essa respeitada Casa Legislativa conheça da renúncia ao cargo de vice-governador do Estado de Mato Grosso”, finalizou o documento.

Confira na íntegra a carta de renúncia de Fávaro

Hoje, protocolei minha renúncia ao cargo de vice-governador na Assembleia Legislativa. Tomei essa decisão em razão da missão dada pelo meu partido, o PSD, de construir um novo projeto para Mato Grosso. A razão é simples: não poderia me dedicar a esse propósito, fortalecendo o partido para as candidaturas proporcionais e majoritárias recebendo o salário mensal de R$ 20 mil e nem continuar utilizando toda a estrutura que dá apoio à Vice-governadoria.

Desde que assumi o cargo de vice-governador, reduzi sensivelmente o tamanho da estrutura que, na época, contava com 74 cargos, sendo 46 exclusivamente comissionados. No primeiro ano, diminuí para 20 o número total de servidores e mantive essa média até hoje. Com o compromisso de reduzir custos, diminuí 60% das despesas administrativas e isso tudo sem prejudicar os trabalhos, já que realizamos 12 mil atendimentos durante o período que estive à frente do gabinete.

Além disso, assumi por 20 meses a gestão da Sema – Secretaria de Estado de Meio Ambiente, um dos maiores desafios da minha vida e, com muito trabalho, planejamento e dedicação, apresentamos avanços em todas as áreas. Hoje, com certeza, temos uma secretaria muito mais eficiente e cumprindo o seu principal papel, que é a preservação do meio ambiente, sem atrapalhar o desenvolvimento econômico.

Agradeço aos eleitores que me elegeram e ao povo de Mato Grosso com a absoluta certeza de missão cumprida. Parto para esse novo desafio e não seria ético de minha parte trazer prejuízo ou despesa ao erário, utilizando-me de uma estrutura que foi criada para atender ao mandato de vice-governador. A nova política exigida pela sociedade não quer discurso, quer ação. Tenho convicção de que esta é a decisão mais acertada.

Obrigado a todos

Carlos Fávaro
Vice-governador

 

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