Educação faz levantamento sobre número de crianças haitianas fora da escola em Sinop

Levantamento da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura deve apontar o total de crianças haitianas com idades entre 4 e 14 anos, residentes em Sinop, e  que se encontram fora da escola. Muitas chegaram ao município acompanhando os pais no processo de imigração rumo ao Brasil; ou, ainda, foram trazidas pelas famílias em um período posterior. Desde então, acompanham o dia a dia de seus responsáveis e a rotina da cidade.

Conforme explica a secretária municipal Veridiana Paganotti, o mapeamento objetiva fornecer subsídios que resultem em políticas públicas voltadas à inclusão deste grupo, ainda em 2018, na rede municipal. Para tal, desde o mês início deste mês, o poder público estabelece diálogos com a comunidade haitiana. Na primeira ação, realizada em 06/12, a gestora participou de uma reunião na sede do IFMT, Campus Avançado de Sinop, a pedido do Instituto Federal. A unidade federal de ensino já desenvolve um trabalho com o público haitiano, mas com o foco em adolescentes e adultos.

Técnica em assuntos educacionais da unidade federal de ensino, Elizane Nascimento explica que questões como a língua, educação (o acesso às escolas e universidades), mercado de trabalho e documentação são as principais preocupações dos imigrantes que chegaram a Sinop. Em alguns casos, são consideradas até mesmo barreiras.

E foi a partir do relato de haitianos que frequentam as aulas de formação inicial e continuada para aprender Língua Portuguesa, no IFMT, que a S.M.E.E.C foi chamada para o debate. A preocupação dos haitianos quanto aos filhos desejarem estudar, mas ainda estarem fora das escolas de Educação Infantil ao Fundamental mobilizou o poder público municipal.

“A maior dificuldade que eles [haitianos] têm hoje seria comunicação. Então, abrimos duas turmas de 35 alunos cada. Uma básica para quem não se comunica e outra intermediária. No momento, são cerca de 60 alunos participando”, cita Elizane em uma referência ao trabalho realizado com o público adulto na unidade federal.

Para Veridiana Paganotti, a aproximação com a comunidade haitiana possibilitará novas oportunidades, agora, também, ao público infantil. “É importante que a Secretaria de Educação entenda que ela tem um grupo de alunos fora da escola e, como é um direito de todos perante a nossa lei, precisamos fazer uma força tarefa para trazer estas crianças para a escola, dando a elas a oportunidade de ter uma vida social e pedagógica diferenciada”, explica Veridiana.

No último domingo, 10, Paganotti visitou um grupo de haitianos durante culto matinal em Sinop. Na ocasião, a gestora reforçou o chamamento aos pais para que também procurem a Secretaria de Educação e forneçam as informações necessárias para que o município consiga realizar o mapeamento.

“Os pais podem procurar a secretaria na avenida dos Jacarandás, 2424, próximo à avenida dos Tarumãs, e levar os documentos dos filhos tais como certidão de nascimento, e, se tiver, o documento da escola onde estudou no Haiti ou outro país. Desta forma, entenderemos o processo necessário para incluir essa criança na unidade escolar”, acrescentou Veridiana.

Adaptação

Por serem naturais de outro país e não possuírem a Língua Portuguesa como língua materna, as intervenções com as crianças devem ocorrer em frentes como: adaptação ao sistema educacional, alfabetização, linguagem, entre outras.

Em Sinop desde 2014, Maxilien Predestin trabalha como auxiliar de pedreiro. Pai de três filhos, ele considera a chance de ver as crianças na escola como uma oportunidade na vida dos pequenos.

“Minhas crianças estão chorando dizendo: pai, eu preciso ir para a escola. Eu digo: filho, calma, pois nós não estamos no Haiti e precisamos entender como funciona e aqui é o Brasil. Eu, mesmo na casa, quando saio do serviço, eu dou aula para eles, ensino pouca coisa”, contou.

Fonte Assessoria

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