Deputado diz temer prisão e aconselha Silval comprar contas na AL; ouça áudio

0
138

Um áudio gravado em um telefone celular pelo irmão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), empresário Antônio da Cunha Barbosa, registrou uma reunião em que ele e o sobrinho Rodrigo Barbosa tiveram com o deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB) e Wagner Ramos (PSD) dentro de uma caminhonete no estacionamento da Assembleia Legislativa. A conversa, segundo a delação de Rodrigo, era a tratativa de propina a Ramos, que era o relator da Comissão de Fiscalização e Orçamento da Assembleia, que aprovou as contas do ex-gestor em 2014.

O  áudio de quase uma hora de duração, gravado no dia 16 de dezembro de 2015, revela a princípio uma conversa entre Antônio, Rodrigo e Romoaldo, em que o parlamentar diz que está organizando “tudo” e que Rodrigo precisaria apenas “clarear” para Wagner Ramos. A negociação foi feita no período em que Silval estava recolhido no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).

Em um determinado momento, Romoaldo chama por seu assessor identificado como “Dico” e pede para que ele vá até o prédio da Assembleia Legislativa trazer o deputado Wagner Ramos. “Dico” é Francisvaldo Mendes Pacheco, que chegou a ser preso na “Operação Filhos de Gepeto”, por, supostamente, participar de um esquema que desviou R$ 9,5 milhões da Assembleia Legislativa.

Neste intervalo, já aos 17 minutos e 13 segundos do áudio, o parlamentar chega a perguntar ao filho de Barbosa o que tinha acontecido na reunião entre Silval, o ministro Blairo Maggi (PP) e o governador Pedro Taques (PSDB). O médico responde que o atual governador não cumpre nada de que conversa.

Romoaldo Júnior: Não tinha um acordo do Silval com o Pedro? Blairo Não levou ele no meio da campanha para conversar com o Silval?

Antônio Barbosa: Foi

Romoaldo Júnior: E o que virou essa bosta?

Antônio Barbosa: E alguma coisa que ele sentado e conversa com você, ele cumpre quando levanta? Ele tá cumprindo alguma coisa com vocês?

Já no minuto 35, Romoaldo, em conversa com Antônio Barbosa, pede para que ele não brinque, pois as contas precisam ser aprovadas. O parlamentar também diz que conseguiu um dinheiro em Alta Floresta para pagar um advogado de Brasília para ele não ficar inelegível e brinca que caso isso aconteça ele irá para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).

Romoaldo Júnior: Não Brinque com isso não. Essas contas precisam ser aprovadas pra tudo.

Antônio Barbosa: Eu sei, mas eu estou dizendo onde é que vamos arrumar.

Romoaldo Júnior: Eu estou atrás de dinheiro pra viajar e não estou arrumando.

Antônio Barbosa: Mas então estou te dizendo onde é que vou arrumar isso de uma hora para outra?

Romoaldo Júnior: Fui para Alta Floresta consegui arrumar lá um dinheiro para eu pagar um advogado de Brasília, senão eu fico inelegível e se eu ficar inelegível eu vou parar lá no CCC.

Uma pessoa aparentando ser Wagner Ramos só chega ao carro pouco mais dos 46 minutos de conversa entre os três. Eles tratam um pagamento de R$ 300 mil e fica um impasse com Antônio Barbosa dizendo que não tinha condições de fazer o pagamento em menos de 48 horas.

Romoaldo chega a dizer que só quer ajudar a família Barbosa e que a aprovação das contas é tão importante quanto a liberdade do Silval. O parlamentar finaliza a conversa, dizendo que tudo é passageiro e que daqui a seis meses eles iriam estar bebendo pinga e dando risada de toda esta situação.

Conforme a delação de Rodrigo Babosa, ele e seu tio fizeram pagamentos de R$ 250 mil ao deputado Wagner Ramos, além de R$ 200 mil para Silvano Amaral (PMDB) e José Domingos Fraga (PSD). O médico também entregou a justiça conversa de WhatsApp ocorrida meses depois de Ramos dizendo estar desconfiado de que Antônio Barbosa havia gravado a conversa.

Comentários