Cabo que pediu grampos está lotado na Casa Militar; coroneis da PM são suspeitos

O esquema de escutas telefônicas ilegais em Mato Grosso, investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR), teve atuação direta de três oficiais de alta patente da Polícia Militar. A informação consta em relatório da PGR, que está praticamente concluso.

O documento foi tema de uma reportagem especial do programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (14), que apontou ainda o o cabo da Polícia Militar, Gérson Luiz Ferreira Correia Junior, como um dos responsáveis por solicitar os grampos. Conforme as informações obtidas pela reportagem, ao menos 120 pessoas foram grampeadas de modo irregular, sem autorização judicial, no Estado desde o ano de 2014.

Entre os alvos, estão políticos com mandatos, assessores, advogados, jornalistas e até policiais. O esquema é denominado “barriga de aluguel”.

Nele, a inteligência da PM solicita interceptações de eventuais criminosos – no caso, uma quadrilha de tráfico de drogas e, posteriormente de assaltantes – e inclui nomes de outros alvos. No caso apurado, as gravações solicitadas contra criminosos foram autorizadas por um juiz de Cáceres, que atualmente está em Cuiabá.

Ele não teria conhecimento do esquema, uma vez que os nomes reais dos alvos da irregularidade eram modificados, como no caso da deputada estadual Janaína Riva (PMDB), que era tratada pelo codinome de “Janair” no pedido para interceptação de seus telefones. Os três oficiais da Polícia Militar que foram identificados pelas investigações da PGR seriam alguns dos responsáveis por solicitar as interceptações telefônicas ilegais.

Eles teriam feito os pedidos a mando de outros líderes do esquema, que envolve pessoas do alto escalão do Executivo Estadual. Em trecho de um relatório de pedido de escuta telefônica, encaminhado à Justiça, os oficiais suspeitos de envolvimento no esquema alertam sobre os riscos que os supostos criminosos trazem ao Estado. “Esses interlocutores vêm fomentando consideravelmente a mercancia de drogas em nosso Estado, notadamente pasta base de cocaína oriundo de Cáceres e região, e notadamente os índices de violência na região Oeste de Mato Grosso, baixada cuiabana e região Sul do Estado, necessitando um maios acompanhamento do Estado”, argumenta.

Já o cabo Gérson Correia Junior foi lotado por vários anos no Gaeco, atuando justamente no sistema de interceptações telefônicas. Mesmo atuando no Gaeco, órgão ligado ao Ministério Público, o cabo era subordinado ao comando da Polícia Militar, já que no Gaeco existe uma relação independente entre as instituições.

Atualmente, o cabo está a disposição da Casa Militar do Governo do Estado. Ele atua no Comitê Estadual de Acompanhamento de Conflitos Fundiários do Estado na condição de assessor.

Segundo a reportagem do Fantástico, os documentos pedindo à Justiça autorização para interceptar os telefones foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior. No entanto, além dos números dos supostos integrantes da quadrilha de tráfico de drogas, foram juntados por “tabela” outros telefones.

Para tratar sobre o assunto que deve atingir membros do Governo do Estado, o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, deixou o cargo. Por meio de nota, o Executivo Estadual divulgou comunicado para informar que o ex-secretário voltará a se dedicar à advocacia e será responsável por defender o governador no caso dos grampos. Nos bastidores, porém, comenta-se que o primo do governador é um dos alvos das investigações da PGR.

De acordo com a Constituição Federal, o crime de interceptação telefônica, de informática ou telemática,  sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados na Lei, pode levar a condenação de dois a quatro anos de reclusão, além do pagamento de multa.

OS GRAMPEADOS

De acordo com o relatório da PGR, entre os alvos dos grampos estavam a deputada estadual Janaína Riva, que teve dois números interceptados; um dos assessores do vice-governador Carlos Fávaro (PSD); a esposa de um deputado do PMDB; dezenas de assessores parlamentares; o jornalista José Marcondes, o “Muvuca” (PHS); um vereador licenciado que ocupa uma secretaria na prefeitura de Cuiabá e uma ex-servidora do Estado, com iniciais T.S.

Também estavam, entre os que tiveram suas ligações interceptadas, o advogado José Patrocínio, durante o período em que respondeu pela coordenação jurídica da campanha de Lúdio Cabral (PT) ao Governo do Estado; um advogado que atua como assessor de um desembargador de Câmara Criminal do Tribunal de Justiça e um outro jurista que atua na área ambiental do Estado.

 

Fonte Folhamax

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